
Galo da Madrugada em um de seus primeiros desfiles.Hoje, o a maior bloco do planeta.(Foto:internet)
Pelas ruas do Bairro de São José, há 62 anos, confetes e serpentinas pareciam flutuar mais coloridos dos que são jogados nos tempos atuais. As troças, os clubes e os blocos carnavalescos satisfaziam os foliões que passavam o ano inteiro se preparando e preparando suas fantasias para os quatro dias de carnaval. As pessoas não tinham maldade e o carnaval era pura brincadeira, um evento altamente valorizado pelos moradores do Bairro de São José, gente que sabia o sentido da folia, sentia as músicas na pele e transpirava dela uma cultura bastante diversificada. E foi nesse ambiente que Sevy Caminha cresceu, entre o Clube Vassourinhas e o Batutas de São José. Sevy começou a trabalhar nesses clubes costurando as roupas dos integrantes e, com apenas dez anos de idade, se apaixonou pelo carnaval recifense, que na época era o maior de Pernambuco.
Sevy Caminha veio do interior para morar na Rua das Águas Verdes, lá ela conheceu Arlinda Cruz, costureira do Vassourinhas. O que mais lhe chamava atenção era as cores e o brilho das fantasias e Seu Raul, marido de Arlinda, tesoureiro do Clube Vassourinhas, pediu a mãe de Sevy para que ela trabalhasse junto com sua esposa na confecção das fantasias. Sevy ganhava o seu dinheiro como costureira e gastava com jambo, camarão e bolo de goma. No pátio de São Pedro, o alfaiate e tesoureiro do Batutas de São José, Augusto Bandeira, também a convidou para alinhavar os paletós.Este contato direto com o frevo-de-bloco fez com que Sevy Caminha fundasse em 1978 um dos blocos mais antigos em atividade, o Pierrot de São José. Ela afirma com seus setenta e dois anos que, o passar dos anos, a política carnavalesca se chocava com as políticas públicas, e que foi difícil manter o bloco e sofreu bastante em ver outras manifestações carnavalescas como os seus maiores ídolos: Bloco Lenhadores e Batutas de São José, prestes a acabar. “A gestão de João Paulo? Foi de todas que vi, a que mais valorizou o carnaval”, afirmou Sevy e brincando ela completa “Sei que vários amigos meus poderiam ficar chateados com isso, mas não é questão de política”.
Vinte sete anos atrás, Caminha pediu ajuda ao secretário de turismo, pois os blocos do Bairro de São José não tinham mais o mesmo espaço e estavam perdendo o fôlego.E nessa empreitada, ela organizou o Encontro dos Blocos, para poder dar mais força e apóio aos foliões que organizavam a festa. Hoje desfilam mais de 37 blocos toda segunda-feira de carnaval.
A família Caminha é enraizada com o Bairro de São José, a própria Sevy mora no bairro há 63 anos e ainda hoje não deixa sua casa no Beco do Ramo, rua da Concórdia. Suas quatro filhas Gorete, Graciete, Clória e Graciene, têm orgulho da presidente do Pierrot de São José e são totalmente integradas ao bloco recifense. Esta última, Graciene Carminha, seguindo desde nova o caminho de sua mãe, ajudou a renascer junto com Badia e com a família Caminha a Noite dos Tambores Silenciosos, realizada no Pátio do Terço. Foi então que a cumadre de Sevi, Badia, pediu a ela para que fizesse o grande encontro de Maracatus e Afôxes voltar a acontecer, pois naquela época não existia o carnaval Multicultural e essa rica cultura de dança e ritmo estava sendo vitima do preconceito do governo. Sevy recusou o pedido e sua filha assumia assim a organização da Noite dos Tambores Silenciosos por sei anos seguidos.
Sevy leva hoje uma vida cautelosa, não pode costurar, bordar e nada que exija dela esforço físico, esse problema veio de anos costurando fantasias, já que, quando eka trabalhava não existia tantas tecnologias e tudo tinha que ser feito a mão. Hoje sofre de osteoporose e não pode se locomover sozinha, as todos os dias pela tarde ela fica e frente a sua casa com sua amiga Neuza Santana, que mora no bairro há um longo tempo. Todos que passa na rua cumprimentam a fundadora do bloco carnavalesco, e um morador em especial sempre pergunta se ela vai querer que ele compre o seu pão. Mesmo em cadeira de rodas, ela já ela começou as organizações do Pierrot de São José desde agosto. Agora é só conferir o bloco na segunda-feira de carnaval, no maior encontro de blocos do Brasil.

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